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Escoliose: guia completo sobre diagnóstico e tratamento

  • 27 dezembro 2025
imagem de tomografia com coluna e grave escoliose

Conteúdo escrito e revisado por médico especialista
Este conteúdo foi escrito e revisado por Dr. Guilherme Foizer, médico ortopedista com atuação em cirurgia da coluna, com acompanhamento de pacientes com escoliose infantil, adolescente e do adulto.
CRM-SP: 114430 | RQE: 40798
Mestre – UNICAMP | Doutorando – USP
Este material tem caráter educativo e não substitui consulta médica.

Última atualização: dezembro de 2025

1. O que é escoliose?

Escoliose, por definição, é um desvio da coluna vertebral em três planos:

  • quando observada de frente ou de costas (plano coronal),
  • quando observada de lado (plano sagital),
  • e no próprio eixo da coluna, com rotação das vértebras.

Além disso, para que esse desvio seja considerado escoliose, ele precisa ultrapassar 10 graus, medidos no raio-x por uma medida chamada ângulo de Cobb.

Uma forma simples de entender esse conceito é imaginar uma linha que deveria seguir reta em direção a um ponto. Em determinado momento, essa linha faz uma curva e modifica sua trajetória. É isso que acontece com a coluna na escoliose.

Radiografia mostrando escoliose medida pelo ângulo de Cobb
Figura 1: Exemplo de escoliose medida no raio-x: à esquerda, observa-se uma coluna com ângulo de Cobb menor que 10° (sem escoliose). À direita, nota-se uma curvatura (seta vermelha) que se desvia da linha de referência (verde). Para que a cabeça permaneça equilibrada sobre a bacia, o próprio organismo pode formar uma segunda curva, chamada curva compensatória (indicada em amarelo).

As escolioses apresentam uma incidência estimada entre 2 e 3% da população, de acordo com estudos epidemiológicos. Portanto, trata-se de uma condição relativamente comum e que nem sempre deve ser motivo de grande preocupação para pais e pacientes.

Portanto, o mais importante é que a escoliose seja identificada, medida corretamente e acompanhada por um médico ortopedista com experiência em doenças da coluna vertebral.

Quais são os sintomas da escoliose?

A deformidade causada pela inclinação e rotação das vértebras pode tornar-se perceptível ao observar a pessoa, principalmente pelas costas. Este é o principal sinal da escoliose e sua intensidade varia conforme:

  • o tamanho da curva (ângulo de Cobb),
  • o número de vértebras acometidas,
  • e o grau de rotação vertebral.

Quanto maior a magnitude da curva, maior tende a ser a percepção da deformidade.

infografico com alteracoes no corpo de pessoa com escoliose
Figura 2: Sinais clínicos de escoliose

A literatura científica demonstrou que escolioses de grande magnitude, especialmente aquelas acima de 90 graus, não são apenas um problema estético. Estudos de seguimento em longo prazo mostraram que, quando não tratadas, essas deformidades podem estar associadas a piora funcional, dor crônica, comprometimento pulmonar progressivo e até aumento da mortalidade ao longo da vida (Pehrsson et al., 1992; Helenius et al., 2014).

Assim, em pacientes mais jovens, que ainda estão em fase de desenvolvimento pulmonar, ângulos menores podem ser clinicamente relevantes. Na escoliose idiopática infantil ou juvenil, a restrição da expansão do tórax pode levar a graus variados de insuficiência respiratória, mesmo com curvas menos acentuadas.

Felizmente, curvas tão graves são raras. A imensa maioria dos pacientes apresenta ângulos inferiores a 20 graus, que geralmente permitem acompanhamento conservador.

O que causa escoliose?

Cada tipo de escoliose possui uma causa específica.

  • Escoliose congênita: ocorre por defeitos na formação ou na separação das vértebras ainda durante o desenvolvimento do feto.
  • Escoliose neuromuscular: resulta de desequilíbrios musculares, geralmente associados a doenças neurológicas, como a paralisia cerebral.
  • Escoliose degenerativa: surge na idade adulta, como consequência do envelhecimento assimétrico dos discos e das articulações da coluna, podendo envolver desgaste articular, microfraturas ou “afundamento” assimétrico das vértebras.
  • Escoliose idiopática: é a forma mais comum. Recebe esse nome porque a causa ainda não é conhecida. Acomete principalmente meninas durante a adolescência.
    Tabela resumindo [o tema] com classificação por [critério principal]
    Tabela 1: tipos de escoliose de acordo com as causas.

Como se faz o diagnóstico da escoliose e quais exames são realizados?

A escoliose pode ser inicialmente percebida pela observação do tronco. Muitas vezes, a mãe, o pai ou outro familiar nota uma assimetria, como diferença entre os lados do corpo em relação aos braços, à cintura ou aos ombros. Em alguns casos, observa-se também uma proeminência das costelas, próxima a um osso chamado escápula.

Desse modo, durante a avaliação médica, o ortopedista observa esses sinais e realiza um exame físico específico chamado Teste de Adams. Nesse teste, o paciente inclina o tronco para frente, flexionando a coluna torácica e lombar, sem dobrar os joelhos. Nos casos em que existe escoliose estrutural, torna-se visível uma elevação assimétrica das costelas, conhecida como giba costal.

homem sem camisa visto de costas com escoliose
Figura 3- Sinal clinco demonstrando alteração do triângulo de talhe- formado pela regiao do braço e tronco- em paciente com escoliose idiopática
foto de homem sem camisa visto por tras com giba costal escoliose
Figura 4- Exacerbação da giba costal em paciente realizando o teste de Adam’s. Escoliose idiopática grave.

Exames de imagem

O principal exame para confirmar o diagnóstico de escoliose é a radiografia panorâmica da coluna total, realizada com o paciente em pé. Esse exame permite:

  • confirmar a presença da escoliose,
  • medir o ângulo de Cobb,
  • avaliar o padrão da curva,
  • e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.

Portanto, diferentemente do raio-x convencional, essa radiografia utiliza um filme maior, capaz de captar toda a coluna em uma única imagem. Embora não esteja disponível em todos os centros diagnósticos, o acesso costuma ser relativamente fácil, tanto do ponto de vista logístico quanto de custo.

Ao longo do acompanhamento ou na fase pré-operatória, o médico pode solicitar exames complementares, como:

  • Ressonância magnética, para avaliar a medula espinhal e afastar doenças associadas, como siringomielia, medula presa ou malformações de Chiari;
  • Tomografia computadorizada, especialmente para estudo detalhado das vértebras em casos congênitos ou planejamento cirúrgico.

Além disso, antes de uma eventual cirurgia, são solicitados exames clínicos e laboratoriais para garantir a segurança do paciente e reduzir os riscos do procedimento.

A escoliose piora com o tempo?

Depende. A literatura científica mostra que a escoliose pode continuar evoluindo ao longo da vida, especialmente quando atinge ângulos mais elevados.

Estudos clássicos que acompanharam pacientes com escoliose idiopática não tratada por várias décadas, como os de Stuart L. Weinstein e Ignacio V. Ponseti, demonstraram que curvas acima de 50 graus tendem a continuar progredindo mesmo após o término do crescimento, com uma taxa média aproximada de 1 grau por ano.

Com isso, pesquisas mais recentes, como as de Timothy Ward, mostraram que essa progressão da escoliose não é linear. Em curvas acima de 40 graus, a evolução pode ser mais rápida em determinados períodos, chegando a vários graus por ano, especialmente nos primeiros anos após a curva ultrapassar esse limiar.

Quando a escoliose atinge valores superiores a 90 graus, ela deixa de ser apenas uma alteração da coluna. Estudos de seguimento em longo prazo, como os de Kari Pehrsson e Ilkka Helenius, demonstraram que escolioses graves não tratadas estão associadas a piora funcional, comprometimento pulmonar e impacto negativo na qualidade de vida ao longo dos anos.

De forma prática, a evolução da escoliose depende principalmente de três fatores:

  • idade do paciente e estágio puberal;
  • quanto crescimento ósseo ainda resta;
  • tamanho e padrão da curva, medidos pelo ângulo de Cobb.

Diversos estudos mostram que o maior risco de progressão ocorre durante o estirão puberal, período que antecede a menstruação nas meninas e o desenvolvimento das características sexuais secundárias em ambos os sexos. Nessa fase, as curvas podem piorar de forma mais rápida.

Assim, em curvas moderadas (25–40 graus) em adolescentes que ainda estão em crescimento, a progressão sem tratamento pode ser clinicamente significativa, o que justifica o acompanhamento rigoroso e, em alguns casos, a indicação de tratamento conservador.

Quais os tipos de tratamento existem atualmente?

A escolha do tratamento da escoliose depende de alguns fatores fundamentais, entre eles:

  • a causa da escoliose (idiopática, congênita, neuromuscular, degenerativa etc.);
  • a idade do paciente e se ainda há crescimento ósseo;
  • a magnitude da curva, medida pelo ângulo de Cobb;
  • o risco de progressão ao longo do tempo.

De forma didática, os tratamentos podem ser divididos em tratamento conservador e tratamento cirúrgico.

Tratamento conservador

O tratamento conservador engloba estratégias sem cirurgia e pode incluir:

  • apenas observação clínica e radiográfica,
  • prática de atividades físicas orientadas,
  • fisioterapia, RPG, pilates ou exercícios específicos para escoliose,
  • uso de órteses (coletes) em situações selecionadas.

De modo geral, o tratamento conservador não “cura” a escoliose, mas pode reduzir o risco de progressão da curva e, em muitos casos, evitar que ela atinja valores que indiquem cirurgia.

Esse tipo de abordagem é indicado para a grande maioria dos pacientes, sendo especialmente adequado quando as curvas apresentam menor magnitude e o risco de progressão é baixo ou moderado. Em termos práticos, costuma ser a primeira opção em pacientes que não atingiram cerca de 40 graus, embora essa decisão deva sempre ser individualizada.

 

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico tem como objetivo corrigir a deformidade, estabilizar a coluna e evitar progressão futura da curva.

Para isso, a cirurgia consiste na colocação de parafusos e hastes metálicas para alinhar a coluna. Após a correção, o cirurgião promove a artrodese, isto é, a união definitiva de determinadas vértebras. Esse processo envolve a preparação das superfícies ósseas para que os ossos se consolidem entre si, formando uma estrutura estável que mantém a correção obtida ao longo do tempo.

A indicação cirúrgica depende de vários fatores e geralmente é considerada quando:

  • a curva atinge magnitudes associadas a maior risco de progressão;
  • há falha do tratamento conservador;
  • ou existe impacto funcional, estético ou clínico relevante.

A decisão pela cirurgia deve sempre ser feita de forma individualizada, após discussão detalhada entre o médico, o paciente e a família.

Tratamento da escoliose idiopática (infantil, juvenil e principalmente do adolescente – AIS)

A escoliose idiopática é a forma mais comum de escoliose, especialmente na adolescência. O tratamento é definido de acordo com o tamanho da curva, o potencial de crescimento e o risco de progressão.

Observação e seguimento

Em curvas leves e/ou com baixo risco de progressão, o tratamento consiste em observação regular, com avaliações clínicas e radiografias panorâmicas da coluna em pé, geralmente a cada 6 meses. A frequência do acompanhamento pode variar conforme a velocidade de crescimento, a maturidade esquelética e o padrão da curva.

Diretrizes e revisões clínicas destacam essa estratégia quando a probabilidade de progressão para limiares cirúrgicos é considerada baixa, evitando tratamentos desnecessários e exposição excessiva a exames.

Tratamento conservador: órteses (coletes) e exercícios específicos

Para pacientes com curvas de maior risco, especialmente aqueles que ainda estão em crescimento, o uso do colete ortopédico mostrou-se eficaz para reduzir a progressão da escoliose até o limiar cirúrgico.

Notamos que a evidência científica mais robusta nesse contexto veio do estudo multicêntrico BrAIST (Bracing in Adolescent Idiopathic Scoliosis Trial), publicado no New England Journal of Medicine em 2013. Esse estudo demonstrou uma relação dose–resposta clara: quanto maior o tempo diário de uso do colete, maior a chance de sucesso em evitar a progressão da curva para indicação cirúrgica.

radiografias comparando antes e depois do colete na escoliose
Figura 5- Diminuição importante do angulo de Cobb após tratamento com colete. Caso tratado pelo autor, autorizada divulgação.

Além do colete, os exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose (PSSE) têm papel complementar. Estudos indicam que esses exercícios podem ajudar no controle postural, na função e, em situações selecionadas, na redução do risco de progressão.

menina com escoliose usando colete para tratamento correção
Figura 6- Colete Rigo Chêneau também chamado colete ”3D” .

As diretrizes da SOSORT, publicadas em 2016, sintetizaram as evidências disponíveis e propuseram recomendações baseadas no nível de risco, integrando observação, exercícios específicos e uso de colete de forma individualizada.

Tratamento cirúrgico na escoliose idiopática do adolescente

A cirurgia para a escoliose idiopática do adolescente foi tradicionalmente indicada quando a curva atingiu magnitudes associadas a alto risco de progressão contínua e deformidade estrutural estabelecida, geralmente ao redor de 45–50 graus em pacientes ainda em crescimento.

Partindo-se desse pressuposto, o objetivo da cirurgia é corrigir a deformidade, restaurar o alinhamento da coluna e evitar progressão futura, por meio de artrodese instrumentada com parafusos e hastes. Esses materiais geralmente são feitos de titânio ou cromo-cobalto e não têm necessidade de serem retirados posteriormente.

4 imagens com radiografias e paciente com antes e depois de cirurgia de escoliose
Figura 7- Imagens mostrando a radiografia e foto clinica de paciente de 15 anos antes e 10 dias depois de tratamento cirúrgico de correção cirúrgica de escoliose idiopática do adolescente. Fotos autorizadas, do acervo do autor.

Revisões clínicas e critérios amplamente utilizados na prática, incluindo aqueles propostos pela Scoliosis Research Society (SRS), ajudam a orientar o momento ideal da intervenção. Ainda assim, estudos de atenção primária ressaltam que a superioridade da cirurgia sobre estratégias conservadoras em determinados desfechos de longo prazo nem sempre foi testada em estudos controlados, reforçando a importância da individualização do tratamento e da decisão compartilhada entre médico, paciente e família.

Escoliose congênita (falhas de formação ou segmentação vertebral)

Já a escoliose congênita é um tipo mais raro de escoliose, presente desde o nascimento. Estima-se que ocorra em aproximadamente 1 a cada 1.000 a 2.000 nascidos vivos. Ela se desenvolve porque, ainda durante a gestação, algumas vértebras não se formam adequadamente ou não se separam corretamente umas das outras.

Esse processo acontece muito cedo no desenvolvimento do bebê, quando a coluna ainda está sendo “construída”. Por esse motivo, a escoliose congênita não está relacionada à postura, uso de mochila, prática esportiva ou hábitos do dia a dia.

Como o problema está na estrutura óssea da vértebra, a curva apresenta algumas características típicas:

  • não se corrige quando o médico tenta endireitar manualmente a coluna;
  • não melhora com exercícios ou mudanças de posição;
  • tende a ser mais rígida e menos flexível do que outros tipos de escoliose.

Para estes casos, a chance de progressão da curva ao longo do crescimento depende diretamente do tipo de anomalia vertebral presente. De forma geral, podem ocorrer dois grandes grupos de alterações:

  • falhas de segmentação, quando as vértebras não se separam adequadamente;
  • falhas de formação, quando a vértebra se forma de maneira incompleta ou assimétrica, como nas hemivértebras.
radiografia de coluna com escoliose e mal formação vertebral
Figura 9- Radiografia de criança de 8 anos com presença de varias vertebras mal formadas. Observe que embora haja anomalia importante, a curvatura não é tao acentuada em virtude da presença de vértebras em posições opostas que se “anulam” na angulação. Fotografia autorizada do acervo do autor.

Cada um desses padrões apresenta um comportamento evolutivo diferente, o que torna essencial a avaliação individualizada.

Tratamento da escoliose congênita

O tratamento da escoliose congênita não é igual para todos os pacientes. Ele varia conforme:

  • a idade da criança;
  • o tipo e a extensão da malformação vertebral;
  • o risco de progressão da curva;
  • e a presença de impacto no crescimento do tórax e dos pulmões.

De forma geral, três estratégias principais foram descritas na literatura médica:

Fusão precoce da coluna (em casos selecionados)

Em algumas situações específicas, opta-se por realizar uma fusão precoce de um segmento curto da coluna, com o objetivo de conter a progressão da curva durante o crescimento.

Nesses casos, a meta não é corrigir totalmente a deformidade, mas evitar que ela se torne grave e cause consequências funcionais mais importantes no futuro.

Ressecção de vértebra malformada (hemivértebra)

Quando a deformidade está concentrada em uma vértebra específica malformada, pode ser indicada a retirada cirúrgica dessa vértebra (hemivértebra), seguida de uma correção localizada com fusão curta.

radiografias comparativas com antes e depois de cirurgia de escoliose congênita
Figura 10- Escoliose congênita tratada com resseção da vértebra. Radiografia da esquerda mostrando coluna lombar de paciente de 5 anos com mal formação na terceira vertebra lombar. A radiografia da direita mostra o paciente com 8 anos mantendo o material de síntese ( ganchos laminares) intacto e sem piora da escoliose. Foto autorizada do arquivo do autor (dr. Guilherme Foizer)

Essa abordagem busca tratar a causa da deformidade, permitindo boa correção da curva e preservando o máximo possível da mobilidade da coluna nos segmentos não acometidos.

Técnicas que preservam o crescimento (em crianças pequenas)

Em bebês e crianças muito pequenas, uma preocupação central é permitir que o tórax e os pulmões continuem a se desenvolver adequadamente.

Nesses casos, podem ser utilizadas estratégias que controlam a progressão da curva sem impedir o crescimento da coluna, adiando cirurgias definitivas para uma idade mais segura. Dispositivos como sistemas de crescimento e técnicas expansíveis foram desenvolvidos com esse objetivo.

desenho mostrando anatomia da coluna e costelas com dispositivo VEPTR
Figura 11- VEPTR (Costela de Titânio Expansível): dispositivo implantado em crianças pequenas com deformidades graves do tórax e da coluna. Ele funciona como um “andaime”, abrindo espaço para o crescimento do tórax e dos pulmões. A haste pode ser alongada periodicamente, acompanhando o crescimento da criança e adiando cirurgias definitivas da coluna.

Ao se considerar estudos cirúrgicos, obeserva-se que a ressecção posterior de hemivértebra com fusão curta é eficaz para correção de deformidades focais, com bons resultados em seguimentos de médio e longo prazo. Em contraste, deformidades congênitas mais extensas, envolvendo múltiplas anomalias vertebrais, tendem a exigir estratégias mais complexas e apresentam maior risco de progressão residual ou falhas mecânicas.

RADIOGRAFIA DE COLUNA ANTES E DEPOIS COM CORREÇAO CIRURGICA DE ESCOLIOSE CONGENITA
Figura 12- Escoliose congenita por falha de segmentação posterior em paciente adulto sem tratamento na infancia e adolescencia. Foto autorizada do acervo de cirurgias do autor.

Escoliose neuromuscular (paralisia cerebral, distrofias, amiotrofias, entre outras)

A escoliose neuromuscular ocorre como consequência de um desequilíbrio muscular associado a doenças neurológicas ou musculares, como paralisia cerebral, distrofias musculares e amiotrofias. Diferentemente da escoliose idiopática, esse tipo de escoliose costuma apresentar progressão mais rápida e curvas mais extensas.

Com frequência, está associada a outros problemas, como:

  • inclinação da pelve (obliquidade pélvica);
  • dificuldade para manter a postura sentada;
  • comprometimento respiratório;
  • dor e prejuízo funcional progressivo.

Tratamento conservador na escoliose neuromuscular

O tratamento conservador, incluindo o uso de coletes, tem papel limitado no controle definitivo da deformidade. Em muitos casos, o objetivo principal não é impedir a progressão da curva a longo prazo, mas sim:

  • oferecer suporte postural;
  • melhorar o conforto;
  • facilitar cuidados diários, como higiene e posicionamento.

Desse modo, a literatura descreve que, em curvas progressivas, o tratamento conservador raramente consegue evitar a evolução da deformidade de forma duradoura.

Tratamento cirúrgico na escoliose neuromuscular

O pilar do tratamento para escolioses neuromusculares progressivas, tem sido o tratamento cirúrgico, especialmente quando há comprometimento da função, dificuldade para sentar, dor, obliquidade pélvica significativa ou impacto respiratório.

Em geral, o procedimento envolve uma artrodese longa da coluna, realizada pela via posterior, com hastes e parafusos, com atenção especial ao alinhamento global da coluna e da pelve.

Estudos e revisões sistemáticas mostraram que a cirurgia pode trazer melhora na qualidade de vida, no posicionamento sentado e no conforto do paciente. No entanto, trata-se de um procedimento complexo, associado a taxas mais elevadas de complicações, o que exige avaliação criteriosa e planejamento individualizado.

Tendência atual: técnicas menos invasivas e correção progressiva

Diante das altas taxas de complicações associadas às artrodeses extensas, especialmente em pacientes frágeis, houve nos últimos anos uma tendência ao desenvolvimento e à utilização de técnicas menos invasivas, aplicadas de forma mais precoce.

Uma dessas abordagens é a técnica bipolar descrita pelo professor Lofti Miladi, amplamente divulgada na literatura especializada. Essa técnica utiliza pontos de fixação proximais e distais, permitindo uma correção progressiva da deformidade, acompanhando o crescimento e a adaptação do corpo, com:

  • menor agressão cirúrgica inicial;
  • menor impacto sobre o crescimento;
  • possibilidade de adiar cirurgias maiores.

 

sequencia de imagens de radiografias e fotos de paciente com cirurgia de correção de escoliose neuromuscular
Figura 13-Técnica bipolar idealizada pelo dr. Loft Miladi. As hastes “deslizam” entre si, permitindo que a coluna se expanda com alinhamento controlado.

Essa estratégia busca equilibrar controle da deformidade, preservação funcional e redução de riscos em pacientes com escoliose neuromuscular.

 

(https://www.scielo.br/j/coluna/a/sMGKnxx95HjH8qPzjqkdhsc/?format=html&lang=en)

Escoliose degenerativa do adulto (adult spinal deformity – ADS)

A escoliose degenerativa do adulto é uma curvatura da coluna que surge como consequência do processo de envelhecimento assimétrico dos discos intervertebrais e das articulações da coluna. Diferentemente dos outros tipos de escoliose, ela ocorre na vida adulta, sendo mais frequente em pacientes idosos.

imagem de tomografia de coluna com escoliose degenerativa
Figura 14- “Escoliose De Novo” representada na imagem de tomografia computadorizada de paciente de 70 anos, mostrando vertebra L3 com assimetria. Discos, articulações facetárias e até microfraturas participam do quadro.

Com o passar dos anos, o desgaste desigual dos discos, das articulações facetárias e, em alguns casos, a presença de microfraturas vertebrais, pode levar a um desalinhamento progressivo da coluna. Esse processo resulta em uma curvatura que não existia previamente, motivo pelo qual também é chamada de “escoliose de novo”.

Ao contrário da escoliose do adolescente, a escoliose degenerativa do adulto costuma estar fortemente associada a sintomas neurológicos, como:

  • dor lombar crônica;
  • dor irradiada para as pernas;
  • perda de força;
  • alterações de sensibilidade;
  • dificuldade para caminhar;
  • sensação de desequilíbrio postural.

Assim, os sintomas geralmente decorrem do estreitamento dos canais por onde passam os nervos da coluna (estenose), associado à deformidade.

Tratamento não operatório

O tratamento inicial, na maioria dos pacientes, é não cirúrgico, especialmente quando o principal problema é dor e limitação funcional, sem déficits neurológicos importantes.

As medidas conservadoras podem incluir:

  • reabilitação e fisioterapia direcionada;
  • uso criterioso de analgésicos e anti-inflamatórios;
  • infiltrações selecionadas para controle da dor.

Essas abordagens visam melhorar a qualidade de vida e retardar a necessidade de procedimentos mais invasivos, sempre respeitando os limites clínicos do paciente.

Tratamento cirúrgico: descompressão isolada versus fusão e correção

Em pacientes com escoliose degenerativa associada a instabilidade da coluna, a literatura demonstrou que a realização de descompressão isolada (cirurgia apenas para “liberar” os nervos, sem fixação com parafusos) pode levar a retorno precoce dos sintomas e piores resultados em determinados grupos.

Estudos clássicos compararam descompressão isolada com descompressão associada à artrodese em casos selecionados de escoliose degenerativa leve, observando menor recorrência dos sintomas nos pacientes submetidos à fixação com parafusos.

Revisões sobre o manejo da escoliose degenerativa do adulto descrevem uma abordagem progressiva e individualizada, que pode variar desde procedimentos menores, como descompressões focais, até cirurgias mais complexas, incluindo:

  • artrodeses curtas ou longas;
  • correção da deformidade;
  • osteotomias em casos selecionados;
  • restauração do alinhamento e do equilíbrio global da coluna.

A tomada de decisão é feita “à la carte”, levando em conta as condições clínicas do paciente, seus objetivos, a presença de instabilidade, déficits neurológicos e o impacto funcional da deformidade.

Escoliose funcional/postural e escolioses secundárias (tumores, infecção, trauma)

Escoliose funcional ou postural

A escoliose funcional, também chamada de postural, é um desvio da coluna não estrutural, ou seja, flexível. Nesse tipo de escoliose, as vértebras não apresentam deformidade fixa, e a curva costuma corrigir-se quando o fator causador é tratado.

As causas mais comuns incluem:

  • diferença no comprimento dos membros inferiores;
  • contraturas musculares;
  • dor que leva o paciente a adotar uma postura antálgica;
  • alterações posturais transitórias.

Nesses casos, o foco do tratamento é identificar e corrigir a causa primária, por meio de reabilitação, correção postural ou tratamento da dor. Não há indicação de cirurgia, e não se trata de uma escoliose estrutural como as demais descritas anteriormente.

Escolioses secundárias (tumores, infecções e trauma)

As escolioses secundárias são aquelas que surgem como consequência de uma doença subjacente, como:

  • tumores da coluna ou da medula;
  • infecções vertebrais;
  • sequelas de fraturas ou traumas da coluna.

Nessas situações, a abordagem terapêutica segue o princípio fundamental de tratar a causa primária. O manejo pode envolver:

  • tratamento oncológico ou infeccioso específico;
  • estabilização da coluna quando indicada;
  • correção da deformidade apenas em casos selecionados.

A correção cirúrgica da escoliose nesses contextos é reservada para situações em que há:

  • instabilidade da coluna;
  • progressão da deformidade;
  • déficit neurológico;
  • ou desequilíbrio postural significativo com impacto funcional.

Perguntas frequentes sobre escoliose

  1. Minha filha de 12 anos está com escoliose em uma radiografia feita para o pulmão. Ela vai precisar de cirurgia?
    A maioria dos adolescentes com escoliose idiopática não chega à cirurgia. De forma geral, a cirurgia é considerada quando:

    • a curva ultrapassa aproximadamente 45–50 graus em crianças ou adolescentes ainda em crescimento; ou
    • há progressão significativa, apesar do tratamento conservador adequado.

    Revisões sobre a história natural e o manejo da escoliose idiopática reforçam esses limiares como critérios práticos de indicação cirúrgica.

  2. Estou iniciando um acompanhamento de escoliose para minha filha. Quantas radiografias são realmente necessárias?
    A quantidade de radiografias depende do risco de progressão da curva. Diretrizes como as SOSORT Guidelines (2016) recomendam:

    • intervalos mais curtos durante fases de crescimento rápido;
    • intervalos mais longos após o término do crescimento;
    • uso de protocolos de baixa dose e evitar exames desnecessários.

    A dose de radiação de uma radiografia moderna da coluna é baixa, mas o princípio sempre seguido é: “tão pouca radiação quanto razoavelmente possível”.

  3. Postura ruim causa escoliose idiopática?
    Não. A escoliose idiopática é uma deformidade estrutural, não causada por postura inadequada, mochila pesada, colchão ou hábito de sentar “torto”. Uma má postura pode evidenciar uma escoliose já existente, mas não é a causa. Ela pode, no entanto, gerar escolioses funcionais, que são flexíveis e corrigem-se com ajustes posturais.
  4. O colete funciona mesmo?
    Sim, para o grupo certo de pacientes. O estudo BrAIST (NEJM, 2013) demonstrou que o uso do colete reduz significativamente o risco de progressão até o limiar cirúrgico em adolescentes com alto risco de progressão.
  5. Quantas horas por dia meu filho deve usar o colete?
    No BrAIST, observou-se relação dose–resposta: quanto maior o tempo diário, menor a chance de progressão. Em geral, o uso ideal situa-se acima de 13 a 18 horas por dia, ajustado caso a caso. Diretrizes SOSORT reforçam o uso prolongado em curvas com risco.
  6. Existe diferença entre os tipos de colete?
    Existem diferentes modelos (Boston, Chêneau, Rigo System etc.). O mais importante é a qualidade do ajuste, correção 3D, experiência da equipe e adesão ao uso — mais do que a “marca”.
  7. Os exercícios (Schroth e outros) podem substituir o colete?
    Exercícios específicos (PSSE) podem ajudar em postura e dor e, em alguns casos, reduzir risco em curvas leves. Para curvas moderadas em crescimento, o colete é tratamento principal e exercícios são complemento.
  8. Meu filho com escoliose idiopática pode praticar esportes?
    Sim. Exercício é seguro e não piora a escoliose; pode melhorar condicionamento e qualidade de vida. Após cirurgia, muitos retornam ao esporte entre 6 e 12 meses, dependendo do caso.
  9. Quais são os riscos reais da cirurgia de escoliose?
    Complicações neurológicas graves são raras em centros especializados (em grandes séries modernas, geralmente <1–2%). Complicações menores variam conforme curva, níveis operados, comorbidades e experiência da equipe.
  10. A cirurgia limita a mobilidade da coluna?
    Sim, no segmento fundido. Porém, grande parte da mobilidade global vem da lombar baixa e dos quadris. A maioria mantém boa capacidade para atividades do dia a dia e esportes recreativos.
  11. Qual é a idade ideal para operar?
    Não existe idade única. A decisão considera curva (geralmente ≥45–50°), progressão documentada e fase de crescimento.
  12. Quanto tempo demora para voltar à escola e às atividades?
    Em geral, retorno à escola em 3 a 6 semanas e retorno a esportes em média entre 6 e 8 meses (variável conforme caso e protocolo).
  13. A instrumentação cresce com a criança?
    Implantes tradicionais não crescem. Em crianças muito pequenas, podem ser usados sistemas de crescimento (growing rods, VEPTR), com alongamentos periódicos.
  14. Como lidar com bullying relacionado ao uso do colete?
    Educação da escola/colegas, suporte psicológico quando necessário, grupos de apoio e envolvimento familiar ajudam a reduzir vergonha, medo de exposição e isolamento.
  15. Como ajudar meu filho a aceitar o diagnóstico?
    Informação clara reduz ansiedade; participação ativa melhora adesão; suporte psicológico quando indicado e contato com outros jovens em situação semelhante podem ajudar.
  16. Usar o colete dói?
    Pode ser desconfortável no início (calor, rigidez, atrito). Dor intensa ou persistente não é esperada e deve ser avaliada para ajuste.
  17. Como encontrar um especialista confiável?
    Preferencialmente um ortopedista com atuação dedicada à cirurgia da coluna e experiência em deformidades, com acompanhamento contínuo e boa comunicação com paciente e família.

Referências científicas

  1. Pehrsson K, Larsson S, Oden A, Nachemson A. Long-term follow-up of patients with untreated scoliosis: a study of mortality, causes of death, and symptoms. Spine (Phila Pa 1976). 1992;17(9):1091–1096.
  2. Helenius I, Remes V, Yrjönen T, et al. Morbidity and radiographic outcomes of severe scoliosis of 90 degrees or more: a comparison of treated and untreated patients. Spine (Phila Pa 1976). 2014;39(20):1781–1789.
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